Após atingir o melhor número de visitantes estrangeiros desde 2017, a subsecretária de Turismo, Verónica Pardo, analisa os fatores-chave para o crescimento do setor, os desafios para consolidá-lo e a contribuição do turismo para o posicionamento internacional do país.
O Chile encerrou 2025 com 6.004.567 visitantes, perto do recorde histórico de 2017. Os dados, divulgados pelo Serviço Nacional de Turismo, confirmam uma tendência sustentada de crescimento desde 2022 e consolidam a recuperação do setor.
Neste cenário, a subsecretária de Turismo, Verónica Pardo, aborda as razões por trás desse desempenho e os passos necessários para mantê-lo ao longo do tempo, com foco na qualidade, sustentabilidade e desenvolvimento territorial.

O ano de 2025 registou um recorde de visitantes estrangeiros. Quais são os fatores que explicam este resultado?
Em primeiro lugar, o Chile encerrou 2025 com 6.004.567 chegadas de turistas estrangeiros, o melhor número desde 2017 e um crescimento de 14,6% em relação a 2024, confirmando uma tendência sustentada de crescimento desde 2022.
A chave tem sido um trabalho consistente de posicionamento internacional e fortalecimento da oferta nos territórios: hoje, o Chile apresenta uma proposta diversificada, com foco na qualidade e sustentabilidade, o que se traduz em mais visitantes e mais oportunidades para PMEs, empreendedores e economias locais.
E pensando nos próximos anos, quais são os principais desafios para continuar a crescer como destino turístico mundial?
O desafio é consolidar esse crescimento com um olhar voltado para o futuro: fortalecer a promoção, melhorar a conectividade, aprofundar a sustentabilidade e continuar diversificando a oferta, para que o turismo se distribua melhor pelo território e ao longo de todo o ano.
Paralelamente, é fundamental avançar em ferramentas que melhorem a competitividade do setor, como o projeto de lei de reativação do turismo, hoje no Senado, que esperamos retomar a sua discussão em março.

Para a subsecretária, os desafios que se avizinham — mais conectividade, maior competitividade e uma oferta cada vez mais diversificada — só podem ser enfrentados através de uma estreita articulação entre os setores público e privado. A coordenação e um roteiro comum, defende ela, são essenciais para projetar no tempo os avanços alcançados.
Em que ponto se encontra a colaboração público-privada para fortalecer a indústria turística chilena?
A colaboração público-privada está no cerne da nossa forma de fazer turismo. Esses resultados não são alcançados sozinhos: exigem coordenação com governos regionais e municipais, associações, operadores, alojamentos, gastronomia e empreendedores. Também se baseiam em um roteiro comum, como a Estratégia Nacional de Turismo Sustentável 2035, que ordena prioridades e alinha esforços para crescer com qualidade e sustentabilidade.
Como o turismo pode contribuir para fortalecer a imagem do país no mundo?
O turismo é uma vitrine direta: cada visitante leva consigo uma história do Chile. Quando oferecemos experiências memoráveis, seguras e sustentáveis, fortalecemos a reputação, a confiança e o interesse internacional.
Com uma população de cerca de 20 milhões de habitantes, receber mais de 6 milhões de turistas é altamente significativo em termos relativos na região e reflete uma indústria sólida e competitiva.
A aposta na diversificação
A autoridade sustenta que, embora o país seja reconhecido globalmente por locais como o deserto de Atacama, a Patagónia ou Rapa Nui, também existe um enorme potencial em territórios menos visíveis nos circuitos tradicionais, onde a natureza e a cultura se entrelaçam em experiências mais íntimas e autênticas. Nesse equilíbrio entre liderança global e novas oportunidades joga-se, segundo ela, parte importante do posicionamento futuro do setor.
O Chile ganhou pelo sétimo ano consecutivo o prémio World Travel Award como Melhor Destino de Aventura do Mundo. O que o Chile pode fazer para continuar aumentando o seu prestígio global?
Primeiro, continuar a cuidar do que é mais valioso: a nossa natureza e a relação com as comunidades locais. O prestígio global mantém-se quando o visitante vive uma experiência de qualidade e responsável.
Devemos também continuar a consolidar a nossa liderança no turismo de aventura, que se reafirma com reconhecimentos internacionais e marcos como ter sido sede da Adventure Travel World Summit (ATTA) 2025, com mais de 700 delegados internacionais, o que fortaleceu a visibilidade do Chile como destino de natureza e aventura.
Além do turismo de natureza e aventura, em que outras áreas o Chile tem maior potencial atualmente? Que papel podem desempenhar a gastronomia, o enoturismo ou o turismo cultural?
O Chile tem uma enorme oportunidade na diversificação. A gastronomia e o enoturismo são uma porta de entrada muito poderosa para conhecer o país, especialmente quando estão ligados à identidade local, aos produtos do território e às experiências autênticas.
O turismo cultural — património, festas tradicionais, rotas históricas e artesanato — permite que o visitante não apenas veja paisagens, mas compreenda o Chile profundo, as suas comunidades e a sua diversidade. Essa combinação é fundamental para crescer com maior valor agregado e avançar na dessazonalização.
Descartando os locais mais conhecidos globalmente, quais três destinos recomendaria?
Escolhi três destinos que mostram um Chile diferente, autêntico e profundamente ligado à natureza e à cultura local. O Parque Andino Juncal, em Los Andes, é ideal para quem procura altas montanhas e trilhos a pouca distância da cidade.
Curarrehue, na Região de La Araucanía, destaca-se pelas suas termas, rios, florestas e uma identidade cultural viva. E Alto Biobío, na Região do Biobío, oferece paisagens montanhosas únicas e experiências de natureza e cultura que são vividas muito de perto com as comunidades.
