Num mundo em que os países competem para atrair investimento, talento e atenção, as marcas de país deixaram de ser uma ferramenta de promoção para se tornarem um ativo estratégico. Já não se trata apenas da forma como um país se apresenta, mas sim da sua capacidade de construir confiança, articular uma visão comum e projetar a sua identidade de forma coerente no cenário global.
Nesse contexto, participar no Pré-Fórum do Conselho Ibero-americano de Marcas de País na Costa Rica 2026 foi, para a Marca Chile, muito mais do que um simples fórum de intercâmbio técnico. Foi uma oportunidade para partilhar aprendizagens, reforçar a cooperação regional e continuar a posicionar o valor da marca de país como ferramenta de projeção internacional. Mas, acima de tudo, foi um convite para algo mais profundo: reencontrarmo-nos.
Reunirmo-nos, em primeiro lugar, em torno dos desafios comuns que os nossos países enfrentam num cenário global cada vez mais exigente. E também na convicção de que as marcas-país não se constroem a partir da individualidade, mas sim da colaboração, do intercâmbio e da capacidade de nos reconhecermos uns nos outros.

Durante o encontro, nós, da Marca Chile, apresentámos a nossa nova campanha internacional,«You Will See», recentemente lançada em Madrid. Mais do que uma peça de comunicação, esta campanha procura transmitir uma promessa: a de um país que se revela através da experiência, que se descobre na sua diversidade e que projeta para o mundo a sua capacidade de inovação, o seu talento e o seu compromisso com o desenvolvimento sustentável.
No entanto, as campanhas — por si só — não constroem uma marca de país. São as pessoas, as instituições e os territórios que lhe dão vida. Por isso, um dos pontos-chave da nossa participação foi partilhar a experiência do programa «Made by Chileans», um modelo de licenciamento que permitiu abrir a marca a milhares de empresas e instituições, transformando-a num projeto coletivo.
Este tipo de iniciativas reflete uma mudança de paradigma no branding de destinos. As marcas de país mais relevantes já não são aquelas que simplesmente comunicam melhor, mas sim aquelas que conseguem mobilizar os seus intervenientes, criar um sentimento de pertença e construir uma visão comum do futuro.
Nesse sentido, o valor do Pré-Fórum CIMAP não residiu apenas nos conteúdos, mas no espaço que abriu para o diálogo e a colaboração regional. Pois, num cenário global interdependente, as marcas-país não se fortalecem isoladamente: potenciam-se quando partilham aprendizagens, articulam perspetivas e são capazes de se reconhecerem umas nas outras.
Porque projetar um país não é apenas mostrá-lo ao mundo. É construir uma narrativa capaz de unir pessoas, despertar o orgulho e transformar a identidade em futuro.
E numa época em que tudo parece avançar cada vez mais depressa, talvez o que é verdadeiramente essencial continue a ser o mesmo: voltarmos a reunir-nos para construir, juntos, não só a imagem do país que queremos projetar… mas também o país que queremos ser.