Quando falamos de comércio externo no Chile, costumamos concentrar-nos nos volumes, nos mercados de destino ou na balança comercial. No entanto, por trás desses números, há histórias empresariais, decisões estratégicas e lideranças que estão a transformar silenciosamente o ecossistema exportador do país.
Atualmente, 29,7% das empresas que exportam no Chile são lideradas por mulheres, de acordo com o 7. º Estudo sobre a Mulher Exportadora 2025, elaborado pela Subsecretaria de Relações Económicas Internacionais do Chile. Estas empresas concentram, além disso, 42,6% do emprego formal no setor exportador e, em média, contratam o dobro de mulheres em comparação com as empresas lideradas por homens.
É um sinal claro de que o comércio internacional já não é um espaço exclusivamente masculino. As mulheres estão a participar ativamente, a liderar empresas, a criar emprego e a construir redes comerciais que ligam o Chile ao mundo.
O recente estudo «Caracterização das Empresas Lideradas por Mulheres 2025», da ProChile, reforça esta realidade. Em 2025, 805 empresas lideradas por mulheres fazem parte da sua rede de utilizadores, o que representa 14,5% do total, consolidando um crescimento sustentado nos últimos anos. No entanto, apesar deste avanço, persistem ainda barreiras ao acesso à exportação. Enquanto em 2024, 255 empresas lideradas por mulheres exportavam, em 2025 o número desceu para 170. Este dado revela que, embora cada vez mais mulheres criem empresas e se integrem no ecossistema exportador, ainda existem desafios importantes para dar o salto para os mercados internacionais.

O que é interessante é que, ao mesmo tempo, o valor das exportações lideradas por mulheres aumentou. Em 2025, as exportações atingiram 328 milhões de dólares, o que representa um crescimento de cerca de 14% em relação ao ano anterior, chegando ainda a 92 mercados internacionais.
Isto demonstra que as mulheres não só estão a exportar, como também estão a conseguir consolidar-se e a crescer nos mercados globais. O principal desafio hoje não é a capacidade de competir, mas sim facilitar o acesso ao primeiro passo na exportação. Sem dúvida, o objetivo deve ser que mais empresárias se atrevam a levar os seus produtos e serviços para o mundo e, com isso, posicionar a marca Chile em novos mercados. Porque exportar não é apenas vender para o exterior. Implica construir redes comerciais, aceder a financiamento, compreender dinâmicas internacionais e assumir riscos empresariais em ambientes altamente competitivos. São desafios relevantes, mas também enormes oportunidades para empresas que procuram crescer.
E é aqui que a mensagem é fundamental: as mulheres já estão a demonstrar que são capazes de liderar com sucesso no comércio internacional.
O comércio externo não é um domínio reservado a alguns setores específicos nem a um único tipo de liderança. Cada vez mais empresas lideradas por mulheres estão a levar produtos e serviços chilenos a novos mercados, desde a agroindústria até à indústria transformadora, passando pela inovação e pelos serviços.
Por isso, mais do que olhar apenas para os números atuais, o desafio consiste em criar mais oportunidades para que novas empresas lideradas por mulheres se atrevam a exportar.
Quando mais mulheres exportam, não são apenas as suas empresas que crescem. O ecossistema empresarial fortalece-se, a matriz produtiva diversifica-se e a presença do Chile nos mercados internacionais amplia-se.
Nesse contexto, é fundamental avançar com políticas públicas que não só incentivem a criação de empresas lideradas por mulheres, mas também a sua projeção comercial internacional. Nessa tarefa, o papel de instituições como a Subsecretaria de Relações Económicas Internacionais, a Fundação Imagen de Chile e a ProChile é fundamental, uma vez que atuam como articuladores estratégicos para que mais empresárias possam aceder a mercados que, de outra forma, seriam difíceis de alcançar.
Em suma, a exportação é também uma oportunidade para liderar, inovar e crescer. E cada vez mais mulheres no Chile estão a demonstrar que esse caminho também lhes pertence.