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Viña Santa Rita: vinho, património e turismo no coração do Vale do Maipo

A 45 minutos de Santiago, em Buin, a vinha combina atividade vitivinícola, cultura e turismo, num espaço que recebe mais de 120 mil visitantes por ano e tem uma presença cada vez maior nos circuitos internacionais.

28 de maio de 2026

A origem da vinha está ligada ao período da independência do Chile. Após a Batalha de Cancha Rayada, 120 soldados patriotas encontraram refúgio numa propriedade em Buin pertencente a Paula Jaraquemada. Com o tempo, a propriedade foi adquirida por Domingo Fernández Concha, que impulsionou o seu desenvolvimento vitivinícola e instalou a sua residência de verão, dando forma a um conjunto que hoje integra o património arquitetónico da zona.

Declarado Monumento Histórico em 1972, o complexo conserva a casa principal — atualmente o Hotel Casa Real —, uma capela neogótica e um parque com mais de 40 hectares. A isto acrescenta-se a histórica mansão ligada aos 120 soldados, hoje transformada no restaurante «Doña Paula».

Turismo, comunidade e utilização do espaço

Atualmente, a vinha recebe cerca de 120 mil visitantes por ano, entre turistas nacionais e estrangeiros, com uma presença significativa de visitantes brasileiros e, em menor medida, norte-americanos.

Para além da sua oferta enoturística, o recinto mantém uma política de abertura para com a comunidade. Durante o Dia do Património e o Dia Nacional do Vinho, abre as suas portas gratuitamente, integrando empreendedores locais e alargando a utilização do espaço para além do âmbito turístico. 

A dimensão cultural também faz parte do seu funcionamento. Desde 2012, a capela já acolheu mais de 60 concertos de música clássica, com a participação de intérpretes nacionais e internacionais, incluindo espetáculos dirigidos a alunos de estabelecimentos de ensino nas proximidades. A esta experiência junta-se o Museu Andino, que o grupo Claro Vial — atual proprietário da vinha — inaugurou em 2006 e que alberga uma coleção de mais de 3.000 peças arqueológicas, representativas do passado chileno e americano.

Produção e reconhecimento internacional

Paralelamente ao seu desenvolvimento turístico e cultural, a vinícola mantém uma presença ativa no panorama vitivinícola internacional. Embora em 2025 as suas exportações tenham registado uma descida em relação ao ano anterior, os vinhos de Santa Rita estão presentes em 70 países dos 5 continentes. No relatório Chile 2026 Special Report, elaborado por Tim Atkin em conjunto com Amanda Barnes, foi destacado o momento do Cabernet Sauvignon chileno, com o vinho Casa Real 2023 a figurar entre os mais bem classificados do país, com 97 pontos.

A isto acrescenta-se a conquista do primeiro lugar no ranking «The World’s 50 Best Wineries 2025», publicado pela Forbes, um reconhecimento que tem em conta variáveis como trajetória, inovação enológica, gestão das vinhas, sustentabilidade, experiência enoturística e alcance global da marca.

Mais do que um cartão postal do enoturismo, o caso da Viña Santa Rita mostra como um espaço produtivo pode integrar camadas históricas, usos culturais e dinâmicas contemporâneas sem se limitar a uma única dimensão. Esse equilíbrio, visível tanto no seu funcionamento quotidiano como na sua projeção internacional, explica em parte a sua relevância no panorama vitivinícola chileno.