Com mais de 300 dias de sol por ano e uma tradição que atravessa os séculos, o pisco chileno consolida-se como uma das bebidas destiladas mais representativas do país. Numa viagem pelos vales de Elqui e Huasco, a Marca Chile conheceu os pormenores da sua produção, os elementos-chave da sua identidade e a sua crescente projeção internacional.
Parte do quotidiano dos chilenos —desde a «piscola» até ao «pisco sour»—, o pisco conseguiu posicionar-se como um símbolo do país, graças às suas condições geográficas excecionais e ao conhecimento acumulado ao longo de gerações.
«O nosso clima confere um carácter especial à uva, e com ela produz-se um vinho e uma bebida destilada verdadeiramente excecional, que é o pisco. O chileno é “piscolero”, faz parte da sua essência. Tanto na minha juventude como nas novas gerações, está presente o conceito do pisco e da piscola», afirmou Patricio Azócar, diretor de enologia da Cooperativa Capel, no Vale do Elqui.

Este património tem raízes profundas: já em 1717 existem registos da sua produção e, em 1931, o Chile criou a primeira Denominação de Origem da América, protegendo o pisco como um produto ligado a um território específico, que abrange cinco vales do norte do país: Copiapó e Huasco, na Região de Atacama; e Elqui, Limarí e Choapa, na Região de Coquimbo.
«Com esta certificação de origem, estamos a proteger a nossa história. Por isso, é algo que temos de cuidar, preservar e valorizar aqui no Chile e também no estrangeiro», explicou Jocelyn Astudillo, diretora comercial da Destilaria Fundo los Nichos, de Elqui.

As condições climáticas dos vales abrangidos pela Denominação de Origem explicam por que razão o pisco tem origem nestas regiões do país. «Esta zona caracteriza-se por ter cerca de 360 dias de sol por ano, com fortes variações de temperatura entre o dia e a noite, o que permite que a uva concentre mais açúcar. Essa é a principal razão para aproveitar os solos áridos de Atacama e Coquimbo», indicou José Manuel Veloso, da Destilaria Pisco Mistral.
Com um consumo local consolidado, a indústria aposta no aumento da sua presença nos mercados internacionais, estratégia que permitiu que, em 2025, as exportações registassem um aumento de 27,6% em comparação com o ano anterior, atingindo um valor de 3,9 milhões de dólares. Nesse cenário, a China consolidou-se como o principal destino, recebendo remessas num valor superior a US$ 1 milhão, cinco vezes mais do que em 2024.

«Temos um produto de qualidade capaz de competir com os melhores destilados do mundo. E, graças a isso, o que fizemos foi procurar nichos de mercado em todo o mundo. Atualmente, temos um bom desempenho no Reino Unido, na Alemanha, nos Estados Unidos, em Espanha, em França e no Canadá, e no ano passado iniciámos uma iniciativa muito forte na China», afirmou Manuel Schneider, Diretor de Pisco Chile. Esta entidade representa a associação de produtores de pisco chilenos e tem como objetivo impulsionar a venda do destilado, tanto a nível local como internacional.
Além disso, Denees Naim, gerente comercial da Bou Barroeta, no Vale do Huasco, acrescentou: «Para além da Denominação de Origem, os padrões de produção do pisco no Chile são bastante elevados. Não fica em nada atrás de outros produtos do mercado».
A Paisagem Cultural Vitivinícola do Pisco Chileno (Atacama e Coquimbo) foi incluída em fevereiro de 2025 na Lista Provisória da UNESCO como passo preliminar para ser declarada Património Mundial, um marco que visa proteger a tradição e a produção do pisco no Chile. O processo continuará com a elaboração do dossiê de candidatura, que será avaliado por especialistas da UNESCO e do ICOMOS.
