Por ocasião do centenário dos parques nacionais, as organizações «Natural es Cuidar», «Ladera Sur» e «Marca Chile» convidam-no a descobrir parte da biodiversidade que faz do Chile um dos territórios mais singulares do planeta.
Desde o deserto mais árido do mundo até florestas, fiordes e territórios insulares únicos, o Chile é reconhecido internacionalmente pela diversidade das suas paisagens. Estas são protegidas por 46 parques nacionais, que abrigam um grande número de espécies que habitam o território nacional. No seio desta biodiversidade singular, cerca de 25% das espécies descritas no país são endémicas, ou seja, não existem em nenhum outro lugar do planeta.
De acordo com dados do Ministério do Ambiente, 65% dos anfíbios presentes no país são exclusivos do Chile, tal como 63% dos répteis e 55% dos peixes de águas continentais. Algumas destas espécies vêm juntar-se a uma longa lista de espécies nativas emblemáticas e carismáticas.
Esta riqueza biológica torna o país um território de especial importância para a conservação global. Neste contexto, os parques nacionais desempenham um papel fundamental. Ao longo de um século, estas áreas protegidas têm permitido salvaguardar ecossistemas únicos e oferecer refúgio a espécies emblemáticas que representam o património natural do país.
Descoberta por Charles Darwin durante a sua visita ao Chile em 1834, é uma das espécies mais ameaçadas do país. Com um peso que raramente ultrapassa os quatro quilos, a raposa de Darwin, ou raposa chilote, habita principalmente na Ilha Grande de Chiloé e em algumas zonas da Cordilheira de Nahuelbuta. Recentemente, foi confirmada a sua presença em Puerto Octay e na Reserva Costeira Valdiviana. Alimenta-se principalmente de insetos, pequenos mamíferos e, em menor proporção, de aves, répteis e anfíbios. Também consome frutos de árvores, o que lhe confere um papel importante na dispersão de sementes e no controlo natural das populações de roedores.

Este marsupial de hábitos noturnos e grande habilidade para trepar habita as florestas temperadas do sul do Chile, onde é possível encontrá-lo no Parque Nacional Puyehue. Mede entre 20 e 24 centímetros de comprimento, dos quais cerca de metade corresponde à sua cauda, e é capaz de saltar até oito vezes o seu tamanho. Para além destas características surpreendentes, desempenha um papel fundamental no ecossistema como «semeador natural»: muitas plantas nativas só conseguem germinar depois de as suas sementes passarem pelo seu trato digestivo.

Endémica do Chile, é considerada um «fóssil vivo», uma vez que pertence a uma linhagem evolutiva com mais de 100 milhões de anos e é a única espécie viva do seu género. Além disso, é o maior anfíbio do país, podendo ultrapassar os 30 centímetros de comprimento e o quilo de peso. Habita lagoas, zonas húmidas e estuários de água doce entre as regiões de Atacama e Los Lagos, sendo possível encontrá-la no Parque Nacional La Campana, no Parque Nacional Radal Siete Tazas, na Reserva Nacional Lago Peñuelas e na Reserva Nacional Altos de Lircay. A sua sensibilidade à poluição torna-a um importante indicador da saúde dos ecossistemas aquáticos.

Embora também habite algumas regiões da Argentina, o pudú é uma das espécies nativas mais emblemáticas do Chile. Com uma altura média de apenas 35 centímetros e um peso que raramente ultrapassa os 12 quilos, detém o título de veado mais pequeno do planeta. Habita as florestas temperadas do centro-sul do país e é possível avistá-lo em parques nacionais como o Parque Nacional Vicente Pérez Rosales, o Parque Nacional Villarrica e o Parque Nacional Alerce Costero, onde encontra alimento na vegetação abundante da floresta nativa. Atualmente, enfrenta múltiplas ameaças à sua conservação, entre as quais a perda e fragmentação do seu habitat devido à expansão imobiliária e agrícola, os incêndios florestais, a caça, a captura e a posse ilegal, além dos ataques de cães.

O único lobo-marinho endémico do Chile é também o segundo mais pequeno do mundo, a seguir ao lobo-marinho-fino das Galápagos. Cerca de 99% da sua população habita o Arquipélago de Juan Fernández, onde encontra refúgio nas suas costas rochosas. Depois de ter estado à beira da extinção devido à caça intensiva, enfrenta hoje ameaças como a interação com redes de pesca e a poluição marinha.

Estas cinco espécies representam apenas uma parte da extraordinária biodiversidade que os parques nacionais e outras áreas selvagens protegidas do país abrigam. Símbolos como o huemul, o beija-flor de Juan Fernández ou o pinguim de Humboldt também encontram refúgio nestes territórios, que há um século desempenham um papel fundamental na conservação do património natural do Chile e na preservação de espécies que hoje constituem um símbolo desse património.