O que explica a qualidade e o reconhecimento internacional dos produtos do mar chilenos? O chef e presidente da Federação Chilena de Gastronomia, Patricio Riquelme, partilha a sua visão sobre os fatores-chave deste posicionamento.
Com mais de 4.300 quilómetros, o Chile é um dos países com maior extensão costeira do mundo. E se considerarmos a rede de fiordes, canais e ilhas do sul, esse número ultrapassa os 80.000 quilómetros. Esta geografia única não define apenas a paisagem, mas também a riqueza e a diversidade da sua oferta marinha.
A isto acrescenta-se a Corrente de Humboldt, que percorre as costas desde a Antártida, trazendo águas frias ricas em oxigénio e nutrientes. O resultado é um dos ecossistemas marinhos mais produtivos do planeta, responsável por cerca de 20% das capturas globais de peixe.
A este respeito, o chef e presidente da Federação Chilena de Gastronomia (FEGACH), Paricio Riquelme, afirmou: «É uma costa imensa. Desde Arica até à zona mais austral, deparamo-nos com uma diversidade de produtos fascinante. Cada território tem os seus próprios peixes, mariscos e formas particulares de os preparar. Nós, enquanto federação, temos a missão de levar toda essa identidade territorial diretamente para a mesa. Se tivesse de citar alguns dos nossos produtos estrela, seriam o piure, as ostras, as amêijoas, as machas e os ouriços-do-mar».
Nesse sentido, o chef comentou a excelente reputação dos produtos do mar chilenos na gastronomia internacional: «O que mais agrada aos estrangeiros é a frescura. Na Europa, por exemplo, não têm esta variedade tão impressionante de marisco, nem o têm tão acessível como nós. Aqui no Chile, pode ir à peixaria do seu bairro e encontrar produtos frescos do dia; esse é um privilégio que não existe em todo o lado».

A qualidade dos produtos do mar chilenos não passa despercebida no panorama gastronómico internacional. Para Riquelme, estes alimentos desempenham também um papel de embaixadores do país: «Tenho amigos cozinheiros em diferentes partes do mundo que sonham em provar um piure fresco, com limão, diretamente do mar. Essa experiência é difícil de reproduzir».
Graças às suas condições naturais, o Chile consolidou-se como um interveniente fundamental na indústria pesqueira mundial. Atualmente, é o segundo maior exportador de salmão do mundo — apenas atrás da Noruega — e lidera as exportações de mexilhões. A isto acresce uma presença crescente das algas nos mercados internacionais, especialmente na Ásia.
«Estive recentemente no Japão e foi impressionante ver salmão chileno no mercado de Tóquio. É um enorme motivo de orgulho», comenta Riquelme. «No entanto, ainda há muitos produtos com potencial que o mundo desconhece. Aí reside uma grande oportunidade.»

Quando se trata de definir o que torna os produtos do mar chilenos únicos, o chef não hesita: a frescura continua a ser o fator diferenciador. «É o motor de tendências como a nova onda de cevicherías, onde o produto é valorizado no seu estado mais puro. Temos matérias-primas de primeira qualidade e isso, sem dúvida, é um tesouro exportável».
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