Enero 22, 2021 #Chile Diverso

Vivenciando o eclipse através da visão de mundo mapuche

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Na comunidade mapuche Lafkenche Mateo Nahuelpán, situada nas zonas húmidas de Monkul, na costa da região da Araucanía, o eclipse solar total foi vivido como um momento de reflexão e meditação, de acordo com as crenças desta cultura ancestral.

De acordo com Estela Nahuelpán, presidente da comunidade, existem diferentes interpretações deste fenómeno astronómico entre o povo mapuche. Por um lado, é visto como uma luta entre a lua e o sol, razão pela qual os mapuches realizavam rituais para enviar energia à estrela para que a luz voltasse. Mas há também uma visão baseada na compreensão da harmonia que existe na natureza, e a necessária existência de luz e escuridão, como parte do equilíbrio.

"Os nossos antepassados observaram a natureza e construíram o que é hoje a base do conhecimento mapuche", diz Estela, que convidou todos a dirigirem-se ao topo de uma colina para ver o eclipse, e celebrou uma cerimónia de agradecimento ao sol e à natureza. Embora a cobertura de nuvens não tenha permitido ver o eclipse na sua totalidade, durante alguns minutos o céu de Monkul escureceu e, quando o sol regressou, os sons dos pássaros tomaram conta do cenário.

Foto: EFE

Cientistas e académicos também vieram a Monkul para aproveitar a oportunidade de estudar o evento astronómico. René Garreaud, doutorado em Ciências Atmosféricas pela Universidade de Washington, viajou de Santiago para estudar os efeitos do eclipse no equilíbrio atmosférico. "Este eclipse dá-nos a oportunidade de compreender o funcionamento da atmosfera e de validar os nossos modelos. Cada eclipse é um pouco particular e estas condições de céu encoberto dão um pouco de mistério ao que vai acontecer", explicou o cientista.

Assim, Monkul era um dia que reunia o conhecimento do povo mapuche e a ciência ocidental, baseada na observação e no respeito pela natureza.

Foto: EFE