Os investigadores Hugo Benítez e César Cárdenas representam o Chile em dois encontros científicos fundamentais para a governação da Antártida e a proteção dos ecossistemas polares. As reuniões reúnem especialistas e delegações internacionais num contexto de alertas crescentes sobre as alterações climáticas, a biodiversidade e a conservação marinha no continente branco.
A cidade de Hiroshima, no Japão, transformou-se esta semana num dos principais centros mundiais de debate sobre o futuro da Antártida. Chegaram até lá delegações científicas e diplomáticas de diferentes países para participar na 48.ª Reunião Consultiva do Tratado da Antártida (RCTA) e na 28.ª reunião do Comité para a Proteção do Ambiente (CPA), fóruns onde governos e equipas científicas debatem medidas sobre conservação, biodiversidade e alterações climáticas no continente branco.
Neste contexto, o Chile destaca-se pelo seu contributo científico e pela sua presença ativa na tomada de decisões. O Dr. Hugo Benítez, docente da Universidade Andrés Bello e investigador do Projeto Anillo PIC², do Centro Internacional Cabo de Hornos (CHIC) e do Instituto Milenio BASE, participa como delegado do Comité Científico para a Investigação Antártica, contribuindo para os debates sobre biodiversidade terrestre e controlo de espécies invasoras.
«As evidências científicas também devem estar presentes nos fóruns onde se discutem medidas de proteção ambiental, conservação e governação para a Antártida», salienta Benítez, sublinhando o papel da ciência na tomada de decisões a nível internacional.
Por seu lado, o Dr. César Cárdenas, investigador do Instituto Antártico Chileno (INACH) e do Instituto Milenio BASE, contribui com a sua experiência em conservação marinha e governação dos recursos do Oceano Antártico. A sua participação está ligada à Comissão para a Conservação dos Recursos Vivos Marinhos Antárticos, onde preside atualmente ao comité científico para o período 2026–2027.
«Estas instâncias são fundamentais para avançar em questões comuns, especialmente num contexto em que as alterações climáticas exigem uma maior coordenação entre organismos científicos e políticos», afirma Cárdenas.

O trabalho de Hugo Benítez centra-se no estudo e monitorização de espécies não nativas em ecossistemas antárticos e subantárticos, uma das principais ameaças emergentes para a biodiversidade polar. As suas investigações analisam como as alterações climáticas facilitam a dispersão de insetos e outras espécies, alterando habitats altamente sensíveis.
A partir do Centro Internacional Cabo de Hornos (CHIC), o seu trabalho também aborda a conectividade entre os ecossistemas austrais, fornecendo evidências fundamentais para reforçar estratégias de biossegurança, conservação preventiva e monitorização ecológica na Antártida.
No domínio marinho, César Cárdenas participa nas discussões sobre a gestão sustentável dos recursos vivos do Oceano Antártico, incluindo a regulamentação da pesca e a monitorização de espécies-chave como o krill antártico, essencial para o equilíbrio do ecossistema.
A Comissão para a Conservação dos Recursos Vivos Marinhos da Antártida desempenha um papel central nestas matérias, elaborando recomendações técnicas que orientam as decisões dos Estados-Membros em matéria de conservação marinha.
Por isso, a importância destes encontros insere-se num contexto de evidências científicas crescentes sobre os impactos das alterações climáticas na Antártida. Relatórios do Painel Intergovernamental sobre as Alterações Climáticas indicam um aumento sustentado das temperaturas nas últimas décadas, especialmente na Península Antártica, uma das zonas que mais rapidamente se aquece no planeta.
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