20 de janeiro de 2022 #Chile sustentável

O Chile torna-se um sensor global com o novo Observatório das Alterações Climáticas

Definições de acessibilidade

A iniciativa é liderada pelo MinCiencia, em colaboração com os Ministérios dos Negócios Estrangeiros e do Ambiente. O repositório digital aloja mais de 30 conjuntos de dados abertos e normalizados sobre a água, os oceanos, a atmosfera e a criosfera, entre outros temas ambientais, disponíveis em minciencia.gob.cl.

A partir da Universidade de Magallanes, em Punta Arenas, o Ministro da Ciência, Tecnologia, Conhecimento e Inovação, Andrés Couve, apresentou a plataforma digital do Observatório das Alterações Climáticas (OCC), um projeto sem precedentes que visa transformar o Chile num sensor climático global, integrando sensores instalados em todo o país para obter deles dados abertos e normalizados sobre a água, os oceanos, a atmosfera e a criosfera, entre outros temas, que a partir de hoje estão disponíveis em occ.minciencia.gob.cl.

A iniciativa nasceu como uma das principais recomendações da comunidade científica, com o objetivo de contribuir para a investigação e a tomada de decisões baseadas em provas. A plataforma OCC conta atualmente com mais de 30 conjuntos de dados extraídos das estações de monitorização de várias instituições públicas e privadas, abrangendo o deserto, os vales centrais, as montanhas, as florestas nacionais, a Patagónia e o território antártico. É de salientar que a informação da plataforma será permanentemente actualizada na web, onde também será possível encontrar um registo histórico das variáveis.

"Quando olhamos para o que está a acontecer a nível mundial, podemos ver que na parte sul da América temos pouca informação, razão pela qual o OCC se tornou uma necessidade e um desejo da comunidade científica. Grandes parceiros estratégicos participaram neste projeto, o que nos permitiu disponibilizar hoje esta iniciativa para acesso livre a todas as pessoas", explicou o Ministro Couve.

"Estamos confiantes de que o OCC, que pretende ligar 8.000 quilómetros de território entre Visviri e a Antárctida com um conjunto de sensores, será extraordinariamente bem recebido pela comunidade internacional. A informação recolhida fornecerá os dados necessários para compreender, prever e projetar os efeitos, riscos e ameaças das alterações no ecossistema, permitindo a formulação de acções de mitigação e adaptação para o futuro, tanto no Chile como no mundo, sendo uma verdadeira contribuição para a luta contra as alterações climáticas", acrescentou o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Andrés Allamand.

"Como país, somos fundamentais para a construção de um futuro sustentável para o nosso planeta, e é por isso que, como Ministério do Ambiente, estamos totalmente alinhados com esta iniciativa que procura tornar os dados de conhecimento público, porque são contributos valiosos para os cidadãos, o mundo científico, o sector produtivo e o governo", afirmou o chefe da pasta, Javier Naranjo.

Da mesma forma, a diretora executiva da Imagen de Chile, Constanza Cea, destacou que "de acordo com o nosso estudo sobre o orgulho chileno, os marcos de que mais nos orgulhamos estão ligados à ciência e às energias renováveis. Isto demonstra um grande interesse em questões relacionadas com a ciência, com o cuidado do nosso ambiente e esperamos que este Observatório das Alterações Climáticas possa também fazer parte dos marcos de que mais nos orgulhamos, pela contribuição que nos permite dar nesta luta contra as alterações climáticas, mas também muito especialmente no que queremos contribuir para o mundo, que é algo que sabemos que nos interessa como chilenos".

De acordo com as autoridades, o fluxo de informações do Observatório de Mudanças Climáticas é fornecido pelas mais de 180 estações de monitoramento pertencentes às instituições que assinaram acordos com a iniciativa: a Direção de Meteorologia do Chile (DMC); o Instituto Antártico Chileno (Inach); o Centro de Estudos Avançados em Zonas Áridas (CEAZA); o Instituto para o Desenvolvimento da Pesca (IFOP) e o Instituto de Ecologia e Biodiversidade (IEB). A este grupo de organizações juntaram-se também na quinta-feira a Direção-Geral da Água (DGA) e a Superintendência do Ambiente (SMA), que selaram formalmente a sua incorporação na OCC.

Na apresentação da nova plataforma, o Governo anunciou ainda a formalização da Comissão Consultiva Presidencial para a Observação das Alterações Climáticas, órgão que irá aconselhar o Executivo na identificação e definição de normas, sensores e plataformas que orientem a geração, armazenamento, gestão e acesso de dados relacionados com a observação da Terra, entidade na qual está alojada a governação do Observatório das Alterações Climáticas e que é composta pelos ministérios dos Negócios Estrangeiros, do Ambiente e da Ciência, a par de peritos e equipas técnicas com experiência na área.