A menos de meia hora do centro de Santiago, a Cooperativa Nativoz procura consolidar o município como um destino de turismo rural para quem visita a capital, com uma proposta que combina desporto, gastronomia, arte e natureza.
Pirque é conhecida pelo seu ambiente natural, tranquilidade e caráter rural, um contraste marcante com a cidade que se encontra a poucos quilómetros de distância. A apenas 21 quilómetros de Santiago, a comuna oferece uma pausa onde o ritmo abranda e a paisagem assume o protagonismo.
Um dos seus principais tesouros é o Parque Nacional do Rio Clarillo, com mais de 13 000 hectares que abrigam um dos últimos refúgios da floresta esclerófila da região central. A este cenário junta-se o rio Maipo, um dos mais importantes da Região Metropolitana, que nasce nas encostas do vulcão com o mesmo nome e percorre cerca de 250 quilómetros até ao oceano Pacífico. Juntamente com ele, o rio Clarillo completa um ecossistema onde coexistem biodiversidade, água e vida rural.

Com base nesta riqueza natural e cultural, a Cooperativa Nativoz procura consolidar o município como uma referência do turismo rural na Região Metropolitana.
A organização reúne empreendedores locais que promovem um turismo participativo, no qual os visitantes não se limitam a percorrer o território, mas integram-se nele. As experiências são desenvolvidas com base em princípios de sustentabilidade, com ênfase na preservação do ambiente e na participação ativa das comunidades.
Entre as suas atividades destacam-se passeios a cavalo, caminhadas sensoriais e banhos de floresta no Parque Nacional Río Clarillo. A isto juntam-se experiências culturais e gastronómicas, como encontros com artistas folclóricos, pequenos-almoços tradicionais e visitas a hortas e queijarias, que permitem conhecer de perto os ofícios e as tradições da região.

Erika Kellinghusen, fundadora da Anfitriones Pirque e coordenadora da Nativoz, afirmou: «Pirque é um tesouro vivo em termos de cultura e tradições. Procuramos ganhar visibilidade para que cada um de nós contribua para o reconhecimento desta comuna como um ícone do turismo sustentável. É um processo demorado, mas tivemos várias experiências que nos fizeram perceber que estamos cada vez mais perto de concretizar este objetivo».
Por sua vez, Angélica “Pepi” Ulloa, “cantora”, poeta popular e, nas suas próprias palavras, a única payadora e improvisadora da Província de Cordillera, relatou a sua experiência como membro desta associação: “Queremos ser os porta-vozes da cultura pircana para o Chile e para o mundo. É uma enorme responsabilidade que assumimos com alegria, porque queremos que toda a gente saiba o que fazemos aqui. Quem nos visita sai sempre muito contente. Na verdade, tenho um grupo, os ‘Pepi lovers’ (risos), que são muito jovens e ficam fascinados com a música e o canto”.
Nos últimos anos, o turismo de experiências consolidou-se como um pilar fundamental para dar visibilidade à identidade local e preservar o património natural, permitindo que o desenvolvimento territorial tenha uma dimensão humana e genuína. Esta imersão cultural não só gera maiores receitas que permanecem nas comunidades, como também oferece aos visitantes uma ligação profunda com a terra e as suas histórias.
Nesse sentido, Evelyn Henríquez, presidente da Associação Nacional de Turismo do Chile, destaca a proposta da Nativoz: «Esta proposta convida-nos a conhecer o território de uma forma diferente, baseada na lógica da colaboração e da experiência. Estamos convencidos de que o turismo não é um fim em si mesmo, mas sim um meio para dar visibilidade às histórias, conservar o património cultural e natural e promover que o desenvolvimento local tenha esta dimensão humana».