Impulsionado pelo Chile, o Latam-GPT articula instituições de diferentes países para criar uma plataforma de IA com identidade regional, com o objetivo de fortalecer a soberania tecnológica e posicionar o continente como um ator ativo na economia digital.
A falta de representação cultural e linguística desta região do mundo nos atuais sistemas de inteligência artificial foi o ponto de partida para a criação do Latam-GPT, uma iniciativa regional de IA generativa construída de forma colaborativa e liderada pelo Chile, a partir de dados fornecidos por diferentes países da América Latina e do Caribe.
Ao contrário de outros desenvolvimentos treinados principalmente com informações do hemisfério norte, esta iniciativa procura fornecer respostas mais precisas e contextualizadas, incorporando a história, os idiomas e a diversidade social da região.
Embora existam iniciativas locais em países como França ou China, o Latam-GPT integra o conhecimento e os dados de uma região como um todo, consolidando-se como uma proposta aberta e colaborativa que permite avançar em direção a uma maior soberania tecnológica. Nesse sentido, junta-se a outros desenvolvimentos emergentes fora dos grandes pólos tecnológicos, como o SEA-LION no sudeste asiático ou o UlizaLlama em África, orientados para responder aos contextos culturais próprios.

O posicionamento da região
O projeto é liderado pelo Chile através do Centro Nacional de Inteligência Artificial (CENIA), com o apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia, Conhecimento e Inovação, que coordenou o apoio de diferentes países do continente. Mais de 30 instituições e 60 especialistas em IA participam do seu desenvolvimento, e o seu treinamento considerou mais de oito terabytes de informação, equivalentes a milhões de livros, graças a um financiamento de cerca de US$ 550.000, contribuído principalmente pelo Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF), além de recursos próprios e acordos institucionais. Atualmente, opera principalmente em espanhol e português, com o objetivo de incorporar progressivamente línguas indígenas do continente.
No âmbito do seu lançamento oficial, o Presidente da República, Gabriel Boric, destacou que «graças a isso, mais pessoas da região poderão compreender como funciona a inteligência artificial, haverá maior especialização científica, maior infraestrutura e redes de colaboração que antes não existiam. Estamos a posicionar a região como um ator ativo e soberano na economia do futuro».
Por sua vez, o diretor do CENIA, Álvaro Soto, destacou que“o Latam-GPT permite que a América Latina entre na revolução da IA como protagonista, desenvolvendo tecnologia própria e demonstrando o que é possível quando o continente trabalha unido”, enfatizando que se trata de uma base tecnológica aberta, orientada a habilitar soluções e aplicações adaptadas a diferentes contextos, mais do que competir com os grandes modelos globais.