Octubre 30, 2017 #Chile Diverso

As múmias de Chinchorro, sua história e conservação

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Batizadas com o nome da cultura milenar de que faziam parte, as múmias de Chinchorro são conhecidas por serem consideradas arqueologicamente o achado mais antigo do mundo desta forma de preservação mortuária, sendo mesmo anteriores às suas congéneres egípcias em cerca de 2 milénios.

A cultura Cultura Chinchorro existiu há milénios, aproximadamente entre 7020 e 1500 a.C., antes de qualquer cidade ou outra civilização atual, e estendeu-se desde a costa sul do Peru, a norte, até aproximadamente ao que é hoje a região de Região de Antofagasta ao sul. Esta cultura era essencialmente piscatória e recolectora, pelo que, para além de se ter conseguido adaptar às condições desérticas do atual deserto de Atacama, também conseguiu conquistar as costas do Oceano Pacífico para se alimentar e sobreviver.

As primeiras múmias foram encontradas na praia de Chinchorro praia na Região de Arica e Parinacotade onde também vem o nome da cultura original, em 1917, como resultado de uma escavação e estudo efectuados pelo arqueólogo alemão Max Uhle. Embora nunca tenham sido encontrados restos de cerâmica ou metalurgia, o que leva a concluir que não desenvolveram nenhuma destas práticas, os Chinchorro tinham cultos específicos relacionados com a morte ou o seu conceito. As suas mumificações não só são as mais antigas de que há registo, como também apresentam um nível de complexidade típico de culturas mais avançadas e tecnológicas.

Não se sabe ao certo porque é que a cultura decidiu começar a utilizar esta prática de preservação dos corpos, mas descobriu-se que os elevados níveis naturais de arsénico no local induziam a morte de muitas crianças e fetos. Acredita-se, portanto, que a mumificação correspondia a uma prática empática que buscava alívio para os familiares das crianças mortas. Por outro lado, existe também a possibilidade de que os mesmos minerais presentes na área tenham provocado um tipo de mumificação natural que eles aperfeiçoaram mais tarde.

Os especialistas dividem as múmias encontradas em 4 grupos principais: múmias negras (5000 - 2800 a.C.), múmias vermelhas (2500 - 1500 a.C.), múmias com ligaduras (2620 a.C.) e múmias com mantos de lama (2500 - 1700 a.C.). Devido ao facto de, em quase todos os casos, não terem sido encontrados elementos materiais a acompanhar os corpos, pode deduzir-se que os Chinchorro não tinham uma forte crença numa vida após a morte ou que não atribuíam grande importância à materialidade, mas sobretudo ao ritual por razões humanas e comunitárias.

Atualmente existem cerca de 180 múmias que são protegidas, preservadas e estudadas pela Universidade de Tarapacáno Museu Arqueológico Museu Arqueológico de San Miguel de Azapa e no sítio sítio Colón 10.. Existe também um número mais reduzido no Museu de História Natural de Santiago y Valparaíso.

Desde 1998, as múmias fazem parte da lista provisória do Chile, que é principalmente o passo preliminar para ser considerada como Património Mundial pela Unesco. Entretanto, muitos livros, investigações arqueológicas e documentários apoiam a importância histórica e patrimonial destas múmias e o seu estudo.