18 de agosto de 2026 #Chile diverso #Turismo

Conheça o Parque Tricao, que alberga o maior aviário de voo livre da América do Sul

Situada no município de Santo Domingo, a apenas 90 minutos de Santiago, a reserva tornou-se um ícone da conservação ambiental, com mais de 100 hectares de área, 44 000 árvores nativas e uma grande variedade de fauna.

Definições de acessibilidade

O Parque Tricao abriu as suas portas ao público em 2019; no entanto, a ideia surgiu muito antes, em 2007, com o objetivo de recuperar o ambiente natural invadido pela amora-silvestre, uma espécie invasora que provoca a perda da biodiversidade. Assim, nesse mesmo ano, foi construído um reservatório agrícola que, posteriormente, deu origem à Zona Húmida de Giverny, em 2009.

Na sequência disso, e com o reconhecimento do Ministério do Ambiente do Chile em 2013, a zona deixou de ser um projeto de paisagismo para se tornar um modelo de recuperação ecológica de 100 hectares, atualmente gerido pela Fundação Parque Tricao, uma entidade sem fins lucrativos. 

«Os adultos dizem-nos que encontram aqui a paz e a tranquilidade que não têm na cidade, enquanto as crianças saem fascinadas do aviário com um desejo genuíno de conhecer e proteger as aves», referiu Agustín Fuentes, médico veterinário do parque e responsável pela área de conservação.

O maior aviário de voo livre da América do Sul

Atualmente, este espaço natural alberga o maior refúgio de aves da América do Sul, que ocupa uma ravina natural com duas hectares e 27 metros de altura. Além disso, dispõe de três níveis de trilhos que culminam numa ponte suspensa com 52 metros de comprimento. No recinto, é possível observar mais de 800 aves pertencentes a 50 espécies exóticas provenientes de diferentes partes do mundo, para além do Chile, incluindo a Austrália, a Índia, a China e o Brasil. 

Fotografia do Parque Tricao.

«Atualmente, desenvolvemos programas de conservação tanto para espécies nativas como exóticas. Temos exemplares que passaram por processos de reabilitação e que, não podendo ser libertados, passam a viver no aviário. Também trabalhamos com espécies prioritárias para reprodução, cuja sobrevivência está ameaçada no seu habitat natural», afirmou Agustín Fuentes. 

Por outro lado, o recinto dispõe de um centro de reabilitação de fauna nativa, onde são acolhidos exemplares resgatados por particulares ou pelo Serviço Agrícola e Pecuário (SAG). Assim, Fuentes afirmou: «O objetivo principal é reabilitá-los e devolvê-los à natureza. Quando isso não é possível, são integrados na comunidade do aviário».

Pântano de Givenry: a inspiração em Claude Monet 

Inspirado nos jardins do pintor impressionista Claude Monet, em França, o Humedal de Giverny é um dos pontos mais atraentes para os turistas que visitam o parque. Isto porque, além da sua beleza, é um refúgio vital para a biodiversidade local, onde convivem cisnes de pescoço preto, garças e coipos entre bosques nativos de boldos, peumos, entre outras espécies.

Fuentes explicou que o jardim «combina plantas ornamentais com a flora nativa. Esta combinação permite preservar o habitat dos polinizadores e das aves autóctones. A riqueza visual da paisagem convida o visitante a parar, contemplar e estabelecer uma ligação com o ambiente.»

Cisne de pescoço preto. Fotografia do Parque Tricao.

«O Milagre» e a ligação com a comunidade

Para além do aviário e da zona húmida, o parque ganhou recentemente um novo espaço: El Milagro. Uma imponente parede rochosa com uma queda de água constante, que durante anos permaneceu escondida sob as amoreiras silvestres e cujo nome se deve à sua descoberta, totalmente involuntária, uma vez que foi descoberta no âmbito de trabalhos de rotina de limpeza e recuperação de ravinas.

A zona, além de servir para a contemplação, «permitiu a regeneração natural da flora autóctone e o regresso da fauna nativa, devolvendo ao espaço a sua função de ecossistema vivo», segundo indicou o responsável pela área de conservação. 

No entanto, este complexo não é apenas um local de lazer, mas procura também estabelecer laços com a comunidade. Por exemplo, através da «Aula Tricao», uma iniciativa que teve início em 2022 e que transforma o parque numa sala de aula ao ar livre durante sessões de 7 horas. O modelo ensina de forma lúdica sobre biodiversidade, solo, flora, fauna e conservação da água, reforçando os conteúdos dos programas curriculares do Ministério da Educação (Mineduc).

Além disso, existe o Programa para a Terceira Idade, que visa melhorar a qualidade de vida das pessoas idosas, através do contacto direto com a natureza, com percursos adaptados a diversos níveis de mobilidade. O itinerário inclui visitas personalizadas e guiadas (com um monitor por cada 5 ou 6 participantes) a locais emblemáticos como o Aviário e a Zona Húmida de Giverny. Além disso, inclui atividades dinâmicas lúdico-recreativas, físicas e de trabalhos manuais, centradas na memória e na área sensorial.

Coruja-tucúquere no Parque Tricao. Fotografia de Josefina Rodríguez Asencio.