É a primeira vez que um documentário chileno é selecionado para esta prestigiada competição. A decisão foi tomada pelos membros da Academia de Cinema do Chile (240 profissionais da área), o que já é um grande feito para o longa-metragem. Mas esta não é a primeira vez que a produção é reconhecida recentemente.
Há dois meses, O Agente Toupeira também foi escolhido para concorrer aos Prémios Goya 2021 e, no início deste ano, teve uma participação de sucesso no Festival de Sundance, onde começou a conquistar o público internacional. Esta será a segunda vez que a realizadora concorre ao principal prémio ibero-americano, depois de o seu filme de 2014, A Hora do Chá (La Once), ter sido escolhido para representar o Chile na competição de 2016. Alberdi está a abrir caminho para os cineastas chilenos que procuram fazer história através da não-ficção.
O documentário acompanha o que acontece quando um investigador privado chamado Rómulo é contratado por uma cliente para investigar o lar de idosos onde vive a mãe dela. Ele decide treinar Sérgio, uma viúva de 83 anos que nunca trabalhou como detetive, para viver no lar durante algum tempo como agente infiltrado. Isabel Plant, jornalista de entretenimento que apresenta a Radio Pauta, diz que o Chile tem excelentes documentaristas de várias gerações. "Temos sempre uma dezena de documentários que fazem a ronda dos festivais internacionais com histórias superinteressantes todos os anos", diz. A jornalista explica que isso já acontece há algum tempo, graças a realizadores como Patricio Guzmán e Ignacio Agüero. "Temos excelentes realizadores de documentários.
Há anos que este género tem dado contributos importantes. Recentemente, tornou-se mais popular, em parte devido a iniciativas como o Miradoc, que exibia documentários nas salas de cinema até à pandemia. Também há muitos documentários sobre o mundo da música. Os documentários chilenos sempre tiveram sucesso, mas recentemente tornaram-se realmente populares por causa da geração de Maite Alberdi, e isso é muito bom", diz ela. O cinema chileno a nível internacional Enquanto o documentário de Maite Alberdi abre um novo caminho para o género, o cinema chileno de não-ficção tem recebido boas notícias nos últimos 15 meses. Cinco produções locais foram premiadas em festivais internacionais. Entre elas estão A Cordilheira dos Sonhos (La cordillera de los sueños, direção de Patricio Guzmán) no Festival de Cannes de 2019, Nunca subí el Provincia (Ignacio Agüero) no Festival de Documentários de Marselha em 2019, Cantos de represión (Cantos de represión, Estephan Wagner) no Festival de Copenhaga em 2020, The Other One (El otro, Francisco Bermejo) no Festival Visions du Réel de Nyon 2020 e Night Shot (Visión nocturna, Carolina Moscoso), que ganhou recentemente o Grande Prémio na Competição Internacional do Festival Internacional de Cinema de Marselha. O cinema chileno está a ter um bom desempenho no estrangeiro e o seu sucesso não se limita à oferta de documentários. Temos presença em todos os festivais", explica Isabel Plant. A geração de Pablo Larraín e Sebastián Lelio abriu novos espaços, com realizadores chilenos a dirigir produções de Hollywood e filmes noutras grandes esferas da indústria, e isso é muito atrativo.
Há um grande interesse pelo cinema chileno a nível mundial", afirma. No entanto, a jornalista diz que o desafio atual é conquistar o público local. "Nos últimos anos, as vendas de bilheteira dos filmes chilenos têm sido dramáticas. O streaming está a abrir novas portas. Filmes comoTengo Miedo Torero tiveram um grande sucesso em termos de visualizações, assim como os títulos chilenos disponíveis no Ondamedia, sem dúvida mais do que nas salas de cinema", conclui.