Por exemplo, a cueca nortina, ou a versão nortenha da dança, não tem letra e é executada de forma dançante e saltitante. A música é tocada com instrumentos locais, como a quena (flauta andina), o bombo (tambor), a zampoña (gaita de foles) e o charango (instrumento de cordas), e os trajes dos dançarinos são influenciados pelo vestuário tradicional do povo aimará.
A cueca criolla baseia-se na vida rural, mas é composta nas cidades. É executada com instrumentos como a guitarra, a harpa, o tormento (um idiofone de percussão) e o acordeão e é cantada em dueto. A cueca brava ou cueca chora é uma variante urbana que se dança em Santiago e Valparaíso. É única porque aborda temas urbanos e sociais, além de românticos, e mistura instrumentos de diversos estilos musicais, como piano, base eléctrica e até pires de café.
A versão mais tradicional é a cueca rural ou cueca campesina. É geralmente anónima e cantada por uma ou duas mulheres em dueto, acompanhadas por uma guitarra ou por payadores (trovadores) com um guitarrón chileno (viola baixo). Há também a cueca cómica, uma variante cómica em que os dançarinos ridicularizam ou imitam alguns membros do público, e a cueca robada, em que um dançarino "rouba" a parceira de outro.
A principal ilha de Chiloé, Chiloé, tem a sua própria versão, a cueca chilota, e é dançada em celebrações ou reuniões comunitárias, como as mingas (uma tradição indígena que envolve trabalho coletivo) ou os lançamentos de barcos.
Apesar desta enorme diversidade, a estrutura da dança é sempre a mesma: trata-se de um fragmento com 52 batidas que compõem o que se chama uma tarte, que os casais dançam geralmente em três partes. É uma verdadeira paixão que ganha novos adeptos todos os dias e que continua a ser dançada no Chile e além fronteiras, mesmo durante a pandemia.
Julie Cabrera, diretora da Academia Bafochi (Ballet Folklórico de Chile) e mestre de dança do elenco profissional, confirma-o. Há mais de uma década que ensina cueca a adultos e crianças. "Apesar de não podermos dar aulas presenciais, temos tido uma óptima experiência com as plataformas online. Bafochi oferece aulas de cueca todos os anos. Estão abertas a qualquer pessoa que queira aprender a dança ou aperfeiçoar-se nela. A pandemia obrigou-nos a realizá-las à distância e, embora se perca a riqueza da aprendizagem ao vivo e presencial, pudemos incluir alunos do estrangeiro. Terminámos o programa na semana passada e as pessoas estavam a pedir mais. Por exemplo, tivemos alunos da Austrália e do Canadá", explica entusiasmada.
Julie acrescenta que o slogan da Academia Bafochi é "Aprenda a dançar cueca em três aulas". A ideia é desencorajar as pessoas de pensarem que é um desafio demasiado grande para enfrentar. Ela diz que para os alunos que já aprenderam as habilidades básicas e estão interessados em continuar a desenvolver-se como dançarinos, "Bafochi tinha um segundo curso focado em técnicas mais avançadas, como as várias maneiras que os dançarinos deslizam ou batem os pés".
Julie está entusiasmada com o ressurgimento da popularidade da cueca nos últimos anos. "A cueca urbana ou cueca chora teve muito a ver com isso. É dançada seguindo a mesma frequência e estrutura, mas os passos não têm de ser executados com tanta precisão. Tem mais a ver com a atitude. É uma versão mais ousada da cueca, e isso fez com que as pessoas se apaixonassem por ela".
Este é, sem dúvida, mais um exemplo da versatilidade da nossa dança nacional, que consegue fazer ressoar os chilenos em todo o lado, em todos os cantos do nosso país e para além das suas fronteiras.