21 de maio de 2022 #ChileDiverse #ChileGlobal

Tecelões mapuches quebram o recorde de tecelagem mais longa do mundo

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  • 426 mulheres mapuches de 90 comunas do país se reuniram em Puerto Saavedra, na região de La Araucanía, para tecer um tear de quase 1 km de comprimento.
  • Esse é o primeiro registro mundial do povo mapuche, que busca tornar visível a arte da tecelagem e destacar seu valor.

A orla marítima de Puerto Saavedra, na região de Araucanía, foi palco de um novo recorde para o Chile: 426 tecelões mapuches reunidos pela Fundação Chilka fizeram um tear de quase 900 metros de comprimento, um marco que o tornou o tear mais longo do mundo.

A façanha, que levou mais de um ano de preparação e divulgação em todo o Chile, superou em muito o recorde anterior da China, com um tecido de 276,41 m2.

"Queremos que esse trabalho viaje pelo mundo. Queremos que ele viaje, se estabeleça em territórios e fale por nossos tecelões", disse Ariel Traipi, presidente da Chilka Foundation, uma instituição que busca promover o desenvolvimento mapuche no sul do Chile. "Queremos tornar visível não apenas a tecelagem, mas também o tecelão em seu contexto. Queremos destacar as paisagens culturais, as práticas e os rituais. Tudo isso é uma jornada, uma imersão na cultura mapuche. Estamos entusiasmados com esse triunfo, que nos coroa como o primeiro povo indígena do hemisfério sul a estabelecer um recorde mundial", acrescentou.

Patricia Huinca é de Nueva Imperial, tece há mais de 25 anos e é uma das coordenadoras dos 426 tecelões que estão participando desse marco. "Para mim, é uma grande emoção, uma grande alegria. Hoje é para nós o dia mais maravilhoso que tivemos como tecelões, porque sempre estivemos tecendo dentro de casa, trancados. Ninguém sabia de nossa atividade, de nossa tecelagem. Mas hoje podemos dizer que vamos divulgá-la para o mundo. Sempre estivemos unidas, e este tear fala disso, de união e paz", disse Patricia, que também dá aulas para transmitir o conhecimento ancestral às novas gerações.

Valor de origem

A Fundación Chilka é uma das instituições que recentemente passou a fazer parte do Programa de Uso da Marca Chile, uma iniciativa da Fundación Imagen de Chile que oferece diferentes benefícios aos produtores locais, desde apoio institucional até o posicionamento e a valorização da origem.

"A Imagen de Chile está muito orgulhosa deste disco que mostra como, a partir de nossas raízes, o Chile está criando um futuro. Nossos povos nativos estão se posicionando internacionalmente por meio da cultura, com essa tradição ancestral que vem sendo transmitida de geração em geração. Além disso, a Fundação Chilka leva a marca Chile, que é fundamental para valorizar a origem do nosso país", disse Constanza Cea, diretora executiva do Imagen de Chile.

Registro

Mais de 420 tecelões mapuches participaram da fabricação desse tear, vindos de diferentes partes do país, desde a região de Coquimbo até a região de Los Lagos, e também alguns que cruzaram a fronteira da Argentina. Embora 90% dos participantes já tivessem conhecimento da tecelagem tradicional mapuche "witxal", a Escola de Arte e Artesanato Mapuche Ngüren foi criada como parte do marco, onde os tecelões foram treinados no modelo e no design do tear fabricado, que é o trabalho do presidente da Fundação Chilka, Ariel Traipi.

O material usado para fazer o tear consistiu em uma tonelada de lã de ovelha Dohne Merino da Terra do Fogo, que foi lavada e tingida pela cooperativa de artesãos da comunidade Puren. Os tons que podem ser vistos no design do tear são inspirados nas cores básicas da cultura mapuche, representando valores que vão do Che Troki Wün (respeito pela pessoa) ao Manelüwün (promessa de confiança).

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